Pergunta que não quer calar
Desde quando a humanidade habita no planeta nunca se viu tanto acesso à informação quanto atualmente. Essa afirmação pode significar que obtivemos maior conhecimento com isso? Poderíamos dizer que somos mais sábios que os homens que viveram no passado? Vamos observar alguns pontos importantes em tudo isso e tentarmos chegar a um resultado que nos demonstre se a quantidade imensurável de informações obtidas nos transformaram em detentores de maiores habilidades, conhecimento e perspicácia, ou não!
Comece pelo seguinte trecho do evangelho de João e observe como Jesus falava a
respeito disso há bastante tempo e nem nos demos conta disso:
“Depois, em um de seus ensinos, Jesus disse ao povo: Eu sou a luz do mundo. Portanto, se vocês me seguirem, não vão tropeçar na escuridão, porque sobre o caminho de vocês se derramará a luz viva. Os fariseus responderam: Você está se elogiando – mentindo! Jesus lhes disse: Estas afirmações são verdadeiras, mesmo que eu esteja falando a respeito de mim mesmo. Porque eu sei de onde vim, e para onde vou, mas vocês não sabem isto a meu respeito. Vocês me julgam sem conhecer os fatos. Eu não estou julgando vocês agora; mas se estivesse, seria julgamento absolutamente correto em todos os sentidos, porque eu tenho comigo o Pai, que me enviou. As leis de vocês afirmam que se dois homens concordarem sobre alguma coisa que aconteceu, o testemunho deles é aceito como um fato. Ora, eu sou a testemunha, e meu Pai, que me enviou, é a outra.” João 8.12-18 (Bíblia Viva)
A
afirmação de Jesus: “Vocês me julgam sem conhecer os fatos. Eu não estou
julgando vocês agora...”; nos faz pensar a respeito daquilo que pensamos saber
ou daquilo que achamos conhecer, sendo que de fato não temos nem um, nem o
outro, na maioria dos casos. Vivemos um tempo de crise. Não se trata de uma
crise financeira, política ou social, mas estamos em meio ao maior caos instrucional
que já se ouviu falar. É uma crise informacional que atinge toda a sociedade,
desde os mais baixos até o mais alto escalão. Mesmo com tanta informação, tão
pouco conhecimento é gerado e, consequentemente, nenhuma sabedoria adquirida. Escreveu
Mário Sérgio Cortella dizendo que “transformar informação em conhecimento
exige, antes de tudo, critérios de escolha e seleção, dado que o conhecimento
(ao contrário da informação) não é cumulativo, mas seletivo” (Não nascemos
prontos – Provocações filosóficas – 2016). São tempos de muitas variáveis e de
poucos critérios. O apóstolo Paulo adiantou-nos a respeito dos nossos dias,
dizendo ao seu discípulo Timóteo que estes seriam tempos trabalhosos pois os
homens seriam enganados por si mesmos e seriam seduzidos por seus desejos maus
(2 Timóteo 3).
Pense
na seguinte cena: Você entra em um supermercado para comprar determinado
produto e se depara com tantas opções que não consegue distinguir quais são
aqueles que agregam real valor e os que entregam pouca qualidade. Outrora, o
preço definia isso, mas, hoje em dia, existem produtos caros com péssima qualidade
enquanto outros de menor valor apresentam-se superiores em qualidade, muitas
vezes. Da mesma forma tem acontecido com a informação. As mídias tradicionais
vinculam apenas informações verídicas e verificadas, correto? Negativo. Existem
correntes políticas de todos os tipos e o que mais importa não é que a verdade
seja dita, mas que se há algum tipo de interesse ou valor que os agrade, a
mentira poderá ser transvestida de verdade e se tornar uma opção. Isso é
lastimável, mas é cada dia mais real em todos os veículos midiáticos. A
internet trouxe uma sensação de liberdade aos seus usuários que se acham no
direito de dizer o que acham e validar isso como verdade, pelo simples fato de
muitos os seguirem e replicarem suas falácias. Nunca um ditado fez tanto
sentido como hoje: “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!”.
Isso é literal em muitos momentos, atualmente. E não há para onde correr, mesmo!
Que tristeza, sem fim. Somos a geração mais sofismática que já existiu e, dificilmente
surgirá outra que nos substitua com tamanha propriedade. Milhões de pessoas
presas em bolhas das quais não conseguem se libertar, sozinhas. Bilhões de
pessoas alienadas por uma rede que sufoca, vigia e mata. Em todos os tempos,
nunca houve tantos casos de suicídio como na última década. E a década que se
inicia traz consigo o estigma de disrupção e transformação de conceitos. Temas como
feminismo, sexismo, homossexualidade, opção de gênero, racismo estrutural, defesa
dos menos favorecidos, entre outros são muito bem vindos, desde que sejam recheados
de sensacionalismo, devaneios e devassidão.
Vemos nas ruas pessoas gritando por liberdade, mas proporcionando a prisão de muitos em conceitos extremistas e facciosos, gerando assim uma geração de alienados parentais dos princípios que regem a humanidade há milênios. As famosas “quebras de tabus” que a sociedade vem enfrentando tornam os seres humanos cada vez mais audaciosos a viver enclausurados em suas próprias vidas, sem sentido e sem propósito. Um egoísmo exacerbado toma conta dos corações e das mentes. Sentimentos narcisistas se tornam comuns e atributos indispensáveis, como altruísmo, misericórdia e compaixão se transformaram em artigos de luxo nas prateleiras empoeiradas das igrejas. O que temiam as gerações do fim do século, se tornou a mais crua realidade do povo que se autoproclama “de Deus”. Nunca se viu tanta gente falando que ama a Deus, serve a Deus, deseja viver com Ele, como hoje em dia! Isso é fato! As igrejas lotadas de pessoas que não sabem nem mesmo onde o Senhor Jesus está agora. Seria esta geração diferente daquela que Cristo confrontou no passado? Como vimos agora a pouco, no evangelho de João, as pessoas acreditavam que serviam a Deus quando, na verdade, serviam aos seus próprios umbigos flatos e fétidos. A fluidez sempre foi um atributo do mundo em que vivemos e hoje isso é palpável de tal maneira que não se consegue discernir coisas simples; fatos que outrora eram indiscutíveis hoje são pauta de congressos, simpósios e seminários. Discussões sem fim a cada dia surgem, levando as pessoas de nenhum lugar para lugar algum; e elas se sentem satisfeitas com isso. Talvez o ponto mais crítico seja justamente que ninguém se preocupa em compreender a verdade, pois ela se tornou fluída e relativa, perdendo todas as suas propriedades únicas e imutáveis (que mudaram). Isso me faz lembrar o apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos: “Em vez de crerem naquilo que eles próprios sabiam ser a verdade de Deus, escolheram de vontade própria crer em mentiras (...) assim, quando eles abandonaram a Deus e nem mesmo o reconheceram, Deus os deixou fazer tudo quanto suas mentes malignas poderiam imaginar.” (Romanos 1.25;28).
Mudaram a verdade transformando-a em mentira e, sendo assim, a mentira tomou o lugar da verdade e vice-versa. Paradigmas seculares se esvaíram como pó. Conceitos estabelecidos pelos antigos pensadores e sábios deixaram de ser corretos e passaram a ser dubitáveis.
A assolação que acomete a sociedade contemporânea reduz a capacidade cognitiva real do ser humano, reduzindo-o a um ser insignificante e desvalorizado. Prova disso, foram os principais avanços tecnológicos que tomaram o lugar da humanidade, criando um ambiente frívolo e desafeiçoado; outra recordação bíblica, onde o escritor deixa um conselho para quem o lê: “Não se deixe enganar por gente assim”. (2 Timóteo 3.5b). O ser humano deixando sua humanidade e tornando-se robotizado de mente, corpo e espírito, seguindo apenas estímulos e programações neurais específicas.
Literalmente, “a que ponto chegamos”?
Tudo
que acontece corrobora na verdade de que há um ponto de entrada e outro de
saída para a humanidade, na terra. E, para aqueles que não acreditam no Criador
e na soberania divina, fica a triste esperança de um mundo falido e fadado ao fracasso
e dor. Porém, para a maioria das pessoas que acreditam na existência do divino
e no poder supremo, que está além de nossas capacidades cognitivas existem duas
realidades opostas entre si. A primeira, onde grande parte das pessoas se
encontram, cheia de obrigações, culpas, dogmas humanos, padrões divergentes da
doutrina de Cristo têm levado cada vez mais adeptos ao caos interior e à
desistência de permanecer firmes em uma fé, da qual não tem conhecimento ou experiência.
E, na maior parte dos casos, quando ocorre uma experiência não passa de molhar
apenas a ponta dos pés em um caudaloso rio. De outra maneira, existe um remanescente
que acredita na força e no poder do amor, da graça, da compaixão, da misericórdia
e da falibilidade humana. Estes não sofrem com a desordem do mundo externo, nem
se deixam abalar por falsas promessas. Estes ouviram o Evangelho do Reino, a
boa nova de salvação anunciada pelo próprio salvador e reagiram de forma
positiva aos seus ensinamentos e diretrizes.
Cabe
a cada um de nós refletir e pensar em qual dos “times” estamos e, se temos
algum interesse em participar de algo maior que nós mesmos e as nossas próprias
indagações.
Em
qual deles eu me encaixaria e seria produtivo?
Eis
aí a pergunta que não quer calar...

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